Tucupi no tacacá

Depois de um dia cheio durante a produção de nossa equipe em Belém, nada melhor que tomar um tacacá ao ar livre para repor as energias ao entardecer! Procuramos a banca de Maria do Carmo, em frente ao Colégio Marista, na avenida Nª. Sª. de Nazaré, provavelmente o melhor tacacá de rua da cidade: além do sabor, o grande movimento de gente ali confirma. Na mão, uma síntese especialíssima de cultura alimentar paraense, ingrediente indígena, receita cabocla, comida mestiça: numa pequena cuia de cabaça, Maria primeiro despeja o caldo amarelado do tucupi (líquido extraído da mandioca brava e então fervido); acrescenta um punhado de folhas cozidas de jambu (erva amazônica singular, de efeito vibrante na boca, sobretudo as flores chegarem ao caldo junto com as folhas!);  quatro ou cinco camarões secos e salgados; uma ou duas conchas de goma (feita a partir do polvilho da mandioca, para engrossar o caldo); e, por fim, conforme o paladar do freguês, como é o meu caso, ela acrescenta uma generosa colherada de caldo de tucupi apimentado! Bom apetite!!!

Texto: Silvio Luiz Cordeiro. Imagem: Cristina Demartini.